Apartheid

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Pra Você

Foi quando você encostado na cadeira da frente abriu os dentes pra mim e me ganhou. Seu grandessíssimo filho da puta. Quem era ou fui eu antes daquele sorriso não há mais. Nem vestígio nem nada de rastro, nem caminho de migalhas pra voltar atrás. Eu vou acabar numa casa vendo coisa com coisa em todo lugar na TV. E eu nunca assisto TV.


Eu prefiro te ver, assim mesmo de longe, quando ou como foda-se, eu prefiro morrer do que saber que te olho. Meus olhos te procuram sem saber nada ou sem avisar ao dono e por isso, como com sono, nunca sei se te olho ou sonho com nossos olhos se encontrando.


Eu fui pro Rio e pra Minas, eu fiquei bem no frio, adoeci pouco e sai de casacão. Fui trabalhar, trabalhei e voltei muito melhor e mais são, mas pergunta se alguma rua, alguma franja ou algum casacão me mostrou dois olhos rindo lindos pra mim... E não foram pra mim, só quis que fossem. Meus.


Você riu pro mundo e me fodeu. Eu nunca aprendi a falar, eu quis falar mais não sabia como. Como quando um cervo foge do lobo me esquivei da sua mordida, disfarçada de carícia pronta pra me amar... Como você ama!


E eu que queria ser a cadeira de recostar acabei aqui. 
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